MUNDO REAL

 
2 de maio 2016 - às 07:14

A FORÇA DAS INSTITUIÇÕES

O escândalo “panamá papers” é um exemplo claro no qual podemos ver como a ganância, a imoralidade dos servidores públicos, tem sérias consequências sobre as nações e o mundo. Biliões de dólares foram escondidos em paraísos ficais, sem que os devidos impostos fossem pagos, em muitos casos pelos mesmos governantes que exigiam sacrifícios ao povo.

 

mundo vive uma crise económica sem precedentes que se agudiza ainda mais com crescentes crises políticas em vários países do mundo, o que leva a uma forte discussão sobre o papel das instituições que devem ser cada vez mais fortes e eficazes.

O grande problema é exactamente este: os países e o mundo estão repletos de instituições cujos estatutos são belos poemas à liberdade e à igualdade mas as mesmas são cada vez menos eficazes.

No continente africano, por exemplo e para começar por nós, há muito que os países assumiram-se como estados de direito e democráticos, adoptaram constituições que definem a clara separação de poderes mas, na prática, as instituições não funcionam como tal. Uma das consequências é a débil fiscalização da gestão dos fundos públicos, por exemplo, o que abre caminho para todo o tipo de erros e até fraudes. Ao mesmo tempo, quando injustiçados, os cidadãos sentem sérias dificuldades para fazer valer os seus direitos.

Governo, parlamento e judiciário precisam trabalhar de forma eficaz e independente conforme os poderes que lhes são consagrados. Os Estados africanos só serão fortes se as instituições forem fortes. É essencial que se faça uma reflexão neste sentido, que quem tem poder de decidir trabalhe no sentido de se implantar uma sociedade verdadeira e justa, temos que agir acima dos nossos interesses (embora eu saiba que no actual contexto isso é utopia mas também somos a “geração da utopia”!).

O desrespeito que existe pelas instituições, o facto de quem é nomeado para um determinado cargo, apesar de jurar cumprir e fazer cumprir a lei, ser o primeiro a desrespeitá-la em nada ajuda a construir um continente maior, um continente à altura dos seus filhos e da sua história. 

Os vícios de 500 anos atrás ensombram-nos.

A nível mundial a discussão também se coloca com o cerne da discussão na necessidade de reformulação das Nações Unidas, instituição que continua a reger-se pela lógica do pós segunda guerra mundial, o que não dá espaço para decisões mais colegiais, mais universais e que ajudem verdadeiramente a construir um mundo mais justo e para a paz mundial. O facto de alguns países terem atacado outros sem qualquer fundamentação no que toca ao direito internacional é um dos exemplos.

Vivemos sob a lei do mais forte.

Para além de tudo o que foquei obviamente que o maior problema é a falta de moral pois, apesar de todos os princípios estabelecidos, quem tem poder de decidir guia-se por outros parâmetros que não aqueles que melhor servem os interesses do colectivo. Falamos algo, apregoamos mas somos os primeiros a desrespeitar, sem qualquer pudor.

O escândalo “panamá papers” é um exemplo claro no qual podemos ver como a ganância, a imoralidade dos servidores públicos, tem sérias consequências sobre as nações e o mundo. Biliões de dólares foram escondidos em paraísos ficais, sem que os devidos impostos fossem pagos, em muitos casos pelos mesmos governantes que exigiam sacrifícios ao povo.

Diante de tudo isso apenas pergunto: vivemos apenas o “hoje” ou queremos verdadeiramente deixar um legado, um mundo melhor para os nossos filhos?  

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