LEITORES

 
31 de maio 2016 - às 06:58

AFINAL, A BANGA ESTÁ MESMO A ACABAR…

Segundo a imprensa que veiculou a notícia com algum destaque, “directores nacionais, funcionários, dirigentes e titulares de cargos públicos estarão impedidos de receber carros do Estado com base numa proposta que altera a actual Lei do Património. 

 

Recebi com bastante interesse, e até de uma forma hilariante, a notícia, oficialíssima, segundo a qual o Executivo vai retirar carros a directores nacionais.O meu vizinho pulou de contente e rematou: “a banga está a acabar…”.

Não existe nada mais sensato que diminuir as gorduras do Estado.E que gorduras!Mas não estou a ver os directores nacionais a encaminharem-se no final das jornadas, geralmente improdutivas, aos autocarros colectivos das empresas e juntamente com os trabalhadores  fazerem a viagem de regresso à casa…Não estamos na Noruega ou na Dinamarca onde todos vivem juntos e misturados…Onde ministros vão de bicicleta ou de comboio aos escritórios.Nada.Aqui seria  uma heresia, tal é a banga que se acumulou durante vários anos viciantes em que “chefe é chefe”;logo nada de ajuntamentos populares.

Agora, o nosso senhor governo deu um ar da sua graça, com o titular do poder executivo a baixar um diploma para a Assembleia Nacional discutir e aprová-lo,com carácter urgente.Vai aprovar,com uma enorme espinha na garganta, creio eu. 

Segundo a imprensa que veiculou a notícia com algum destaque, “directores nacionais, funcionários, dirigentes e titulares de cargos públicos estarão impedidos de receber carros do Estado com base numa proposta que altera a actual Lei do Património. A proposta de diploma identifica, com efeito, as entidades públicas com direito a veículos de uso pessoal, definindo ainda os critérios de aquisição e atribuição de carros a outros funcionários. Enquanto a anterior lei reconhecia o direito a utilização de veículos para uso pessoal adquiridos pelo Estado a funcionários até ao nível supracitado, a nova norma jurídica só vai permitir   o uso de viaturas atribuídas pelo Estado apenas ao Presidente da República, o presidente da Assembleia Nacional, o Vice-presidente da República, juízes presidentes dos tribunais superiores, deputados à Assembleia Nacional e ministros de Estado, designadamente. Terão ainda direito os ministros e governadores provinciais, o procurador-geral da República, o provedor de Justiça, os juízes conselheiros dos tribunais superiores, os procuradores gerais- adjuntos da República, os secretários de Estado, vice-ministros e vice-governadores de província”. O que está entre aspas vem no jornal “O País”.Boa notícia!Li com gosto e arquivei com gargalhadas.

Afinal, estamos mesmo em crise grave.Quando se tomam estas medidas que provavelmente podem provocar alguns espasmos cardíacos, é um bom sinal.Sinal de que quem as propõe está a levar a coisa com muita seriedade.Muito bem, camarada Presidente!Agora é a vez da Assembleia apertar nos calos dos detentores de cargos do executivo.Vamos ver se aceleram a aprovação da medida.Como quem baixou a “ordem” é mesmo o PR, faço fé que mais cedo do que tarde seja cumprida…

 

Luís Albuquerque S. Miguel

Luena/Moxico

 

TIRADAS DA IMPRENSA

 

"A história não está escrita, ela não segue roteiros fatídicos. 

A história é escrita diariamente por nós, os homens e as mulheres, mediante nossas ações e decisões, e podemos lhe conferir a direção e o ritmo que nos parecerem melhores." 

MÁRIO VAGAS LLOSA, escritor peruano, Nobel da Literatura (2010), em sua coluna, publicada em diversos jornais.

 

"Os gregos escreveram sobre os deuses do seu tempo. Garrincha é como um deus de nossa época."

ROBERT WILSON, director americano, que concebeu um espetáculo inspirado no craque brasileiro (1933-1983), em O Estado de S.Paulo

 

"O problema maior da sociedade brasileira é a economia. O segundo maior é a economia. O terceiro maior é a economia."

MOREIRA FRANCO, ex-ministro da Aviação Civil do governo Dilma Rousseff, após encontro, em São Paulo, com o vice-Presidente Michel Temer

 

"Prince é a realeza que as pessoas aman, enquanto Elizabeth II foi imposta a pessoas às quais jamais foi perguntado se a queriam ou não."

MORRISSEY, cantor e compositor inglês. ex-vocalista da banda británica The Smiths, no site de seus fãs, o True to You.

 

BOCAS SOLTAS

 

“O Executivo está comprometido com os objectivos de diversificação económica do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-17, e considera relevante a preservação da estabilidade macro-econômica, devendo ser apoiada por um ambicioso programa de reformas macroeconómicas para restaurar o crescimento económico forte e sustentável, assegurar o equilíbrio das necessidades de pagamento e a manutenção de um nível adequado de reservas internacionais. Neste quadro, o Governo solicitou o apoio do FMI para um programa complementar à estratégia de Saída da Crise, voltada para a diversificação nacional, tendo em conta o declínio dos preços do petróleo.O Governo irá trabalhar com o FMI para conceber e implementar políticas e reformas destinadas a melhorar a estabilidade macroeconómica e financeira, nomeadamente através da disciplina fiscal”-In Comunicado do executivo. Portanto, vem aí o Fundo Monetário Internacional e… em força.O cidadão comum torce o nariz e encolhe os ombros: não sabe quando é que o FMI vai aterrar por aqui e dite as regras de jogo.Alguns nem sabem por quanto tempo,mas sabe que Angola está mesmo de balaio estendido… A seguir, algumas “bocas” de anónimos em relação a essa maka…

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“Nada me diz que o FMI resolva o problema que nós próprios arranjámos.Nunca confiei neste tipo de “ajudas”, uma vez que são demasiado interesseiras para o meu gosto.O que temos de fazer é contarmos connosco, na capacidade e competência do nosso governo em assegurar o mínimo de condições para nos safarmos deste momento grave que atravessa a nossa economia”.

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“Metemo-nos a jeito e agora temos de suportar o enorme peso da dívida externa com a chegada do Fundo Monetário Internacional.Ele vai carregar feio, impor condições financeiras até então inconcebíveis para um país que andou a nadar em petróleo, mandou para as urtigas os bons momentos de subida dos níveis de crescimento económico e gastou mal os recursos financeiros”.

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 “Agora vamos ajoelhar  como nunca.Há quem deve estar a festejar este momento intervencionista por parte do FMI.O povo trabalhador é que não,pois a carestia de vida torna-se cada vez mais insustentável para os bolsos de quem usufrui o salário mínimo, que é uma desgraça”.

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“Eu quero lá saber o que é isto de FMI? O que sei é que o país, como membro, terá de cumprir as suas obrigações, com juros discutíveis , todos os seus encargos,sob pena de ficar isolado no contexto das nações.Acho mesmo que vamos perder uma boa parte da nossa soberania financeira, se é que esta ainda exista.” 

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