SOCIEDADE

 
8 de junho 2017 - às 05:56

ADÃO RAMOS COMO COMBATER O PRECONCEITO?

O caminho para combater o preconceito é longo e bastante árduo, é uma luta constante, porém, ao final, será extremamente gratificante perceber o quanto valeu a sua participação neste processo

 

Os preconceitos são diversos e diversificados; em Angola, algumas vozes já defenderam combatê-lo com a criação de leis punitivas. A punição como forma de mudança de comportamento pode até ser defendida por alguns teóricos ligados ao Behaviorismo radical, todavia ela por si só não muda conceitos apaixonados que estão cravados em certas culturas, pessoas ou grupos, ou seja, informar às pessoas preconceituosas que, a sua atitude será reprimida com multa e/ou detenção não mudará a gênese funcional do preconceito. 

Quase ninguém muda pela acção do medo. Ao contrário, o medo causado pela punição poderá, inclusive, aumentar a hostilidade e a polarização entre os preconceituosos e as vítimas do preconceito. Diante disto, a punição solitária poderá ser um “tiro pela culatra” na tentativa de combater o preconceito. De resto, nesta análise, não nos referimos aos tribunais abarrotados de processos, nem à situação da população prisional que estão apinhados nas várias cadeias do país, que, certamente, apresentam um potencial de recuperação social bem questionável.

Se a lógica do preconceito tem como base um olhar apaixonado de uma realidade, gerando antípodas maniqueístas, tipo, “melhor/pior e certo/errado”, impõe-se modificar esta percepção social e mudar esta “falsa-verdade”, expondo os disparates conceituais e vivenciais desta percepção preconceituosa. É evidente que não se muda isto com o confronto unitário da lei, pois nenhuma lei sozinha alcança seus objetivos sociais se não existirem outras propostas não jurídicas paralelas. Por isto, eu concordo com a reflexão: “quanto mais leis, menos justiça”. Portanto, ao invés de simplesmente punir-se, é necessário, em busca de maior eficácia, nos aproximar da questão com posturas educativas. Serão primordiais a informação e a educação, chegadas à sociedade, de maneira correcta, compreensiva e sistemática.

É importante a abordagem deste assunto com clareza na família.

Se o pai não participa nas tarefas domésticas, apoiando a mãe e limita-se a mandar, ou seja, chega em casa e pede à mulher que lhe traga a Cuca/Nocal da ordem, ou manda buscar as chinelas, o filho vai assimilar, que pai tem de ser assim. Ao mesmo tempo, que, se este filho presenciar um acto de preconceito na escola, na rua ou na TV, e não tiver espaço em casa para debatê-lo e entendê-lo, tem tudo para adotar o comportamento preconceituoso como certo.

 

É importante que se faça um esforço sério, consciente e direccionado para o combate ao preconceito na escola.

Se a escola pratica uma educação que é preconceituosa, porque se julga capaz de combatê-lo, mas não o faz de verdade, sem dúvidas ajuda a manter ou replicar esse mal.

Assim, será possível desconstruir o pensamento preconceituoso, o qual será substituído por um novo, capaz de aceitar as diferenças e eliminar o olhar eugênico do anterior.

O caminho para combater o preconceito é longo e bastante árduo, é uma luta constante, porém, ao final, será extremamente gratificante perceber o quanto valeu a sua participação neste processo.

Todos nós podemos e devemos fazer alguma coisa para ajudar a combater o preconceito…engaje-se em travá-lo a cada dia, com cada nova amizade, em cada conversa…só o preconceituoso não o fará, mas ficará isolado e a sua saída será a mudança. 

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