CULTURA

 
28 de julho 2016 - às 07:54

A DANÇA DA CHUVA: RETRATO DA SOCIEDADE URBANA

Menção honrosa do Grande Prémio Sonangol de Literatura, A Dança da Chuva (de Fragata de Morais) elabora um espaço ficcional em que se retratam as contradições da sociedade urbana luandense e critica a postura repugnante de certas entidades públicas

 

Menção honrosa do Grande Prémio Sonangol de Literatura, A Dança da Chuva (de Fragata de Morais) elabora um espaço ficcional em que se retratam as contradições da sociedade urbana luandense e critica a postura repugnante de certas entidades públicas.

Quando lidamos com a versão policopiada do texto, o contacto com o título e a relação deste com o primeiro capítulo denunciavam já, na altura, tratar-se de uma obra a alistar como referência incontornável para os estudos literários angolanos.

Para elaborar o enredo, o prosador recorreu à estratégia de histórias paralelas, um procedimento pouco usual na narrativa de ficção em português. Lueji de Pepetela é dos escassos exemplos entre nós.

A primeira história paralela, dominado por cenas de amores, deixa-nos indecisos sobre se Selina será a protagonista ou se apenas personagem tomada como pretexto para narrar os amores do Fernando.

Escrita por quem está familiarizado com profissionais da comunicação social angolana, a narrativa parece veicular uma homenagem aos jornalistas angolanos. E aqui desponta, por analogia, a figuração (construção ficcional) das acções de dois repórteres de um jornal. Um deles, por verosimilhança, pode ser assimilado a um nome muito conhecido do jornalismo fotográfico angolano.

Na segunda história (paralela à primeira), Fernando descobre a árvore genealógica da família por intermédio de um misterioso Sr. Jovelino Durango.

 

Luanda é o cenário para ambas as histórias: - A narrativa produz, nas entrelinhas, críticas severas a certos procedimentos condenáveis na gestão pública do bem comum. Denuncia, também, determinados comportamentos individuais (na vida privada) de figuras públicas, os quais contrariam os valores socialmente aceites.

O narrador conhece as entranhas da governação e domina detalhes da vida dos habitantes da cidade. Conhece a intimidade dos moradores da Rua da Vaidade, por exemplo, espaço dos amores do Fernando.

A Dança da Chuva de Fragata Morais fornece pistas para estudos da Sociologia da Literatura e da historicidade do texto de ficção narrativa.

Sugerimos apenas algumas:

- o recurso ao património imaterial (o autor socorre-se de textos em kikongo, Kimbundu, entre outras línguas angolanas);

- as relações interculturais: o cruzamento entre japoneses e angolanos; a aprendizagem do japonês por um angolano curioso; o casamento entre brasileiros e angolanos; a anulação da fronteira entre mestiços e negros.

- laureado do Grande Prémio Sonangol de Literatura. 

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