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26 de dezembro 2016 - às 07:30

ABEL DUERÊ, MÚSICO E ACTIVISTA CULTURAL ANGOLANO NO BRASIL

Conhecido, no Brasil, como Johnny Clegg (cantor sul-africano), o músico angolano Abel Duerê concede a sua primeira entrevista à revista “Figuras&Negócios”. Nas páginas que se seguem, Abel Duerê fala da sua chegada ao Brasil, as peripécias por que passou para se afirmar e dos projectos musicais. Disse que tem memórias da sua juventude, em Benguela, repleta de emoções e que fisicamente está no Brasil mas o espírito, este, continua em Angola, em Benguela para ser mais preciso

 

"ANGOLA TEM DE RECONHECER O MEU TRABALHO NO BRASIL"

Figuras&Negócios (F&N) - Está radicado no Brasil há mais de trinta anos. Fale-nos da experiência de ter o corpo no Brasil e o coração em Angola, mais concretamente em Benguela, onde nasceu?

Abel Duerê (AD) - A vida proporcionou-me a possibilidade de viver em vários lugares como Angola, Portugal e Brasil, e, neste, em algumas cidades como Rio de Janeiro, Salvador e, agora, em São Paulo. Com isso acabo me sentindo um cidadão do mundo.  O que não esqueço são as minhas raízes, o meu DNA. E isso, sem dúvidas, só posso sentir infelizmente de longe, pois as minhas raízes, a minha essencia cultural, a minha alma está e sempre estará ligada a Benguela. Sinto muitas saudades da terra e do povo. Mas, por sorte, faço música africana do fundo da minha alma, o que me permite estar sempre ligado, espiritualmente, à minha terra.

F&N - Que Angola tem dentro de si presentemente e o que faz para «exorcizar» a saudade da terra quando esta o assalta?

A.D - É muito difícil substituir os valores e sentimentos que me unem a Angola, pois tudo que me faz sentir angolano é incomparável. «Exorcizar» é um termo muito forte para poder praticar essa saudade. A sorte é que vivo num país onde o seu DNA se deve ao povo bantu que para aqui veio e foi responsável pela formação não só da sua História como também da sua cultura. Actualmente faço um trabalho de valorização e autoafirmação dessa História. Tenho feito muitas palestras em escolas dentro de um projeto denominado “Meu Brasil Africano”. Os  meus shows em teatros focam muito esse tema, o que me mantém muito ligado aos nossos valores.

F&N – Lembra-se do dia e ano em que desembarcou no Brasil e dos episódios que mais o marcaram nesta terra, que é, hoje, a sua segunda pátria?

A.D - Lembro-me perfeitamente. Mas antes de vir para cá, em 1978, vivi dois anos em Portugal. Saí de Angola em Outubro de 1975 e também lembro-me perfeitamente por tudo que passei, causado pela guerra horrorosa que assolou a nossa terra. Vim viver no Brasil, pois nunca me adaptei em Portugal. O Brasil tem muito mais a nossa cara do que qualquer outro lugar do mundo. Foi talvez um jeito de amenizar a saudade. Depois, o Brasil é uma terra em que se respira muita liberdade. Eu já não consigo viver num País em que você não tem o direito de se expressar.

F&N - Quais foram os episódios que mais o marcaram quando chegou ao Brasil e quantos anos tinha na altura?

A.D - Um dos episódios que marcou muito foi o meu encontro com a banda “Afra-Sound Star” que havia acabado de chegar ao Brasil. O nosso encontro foi maravilhoso. Naquela época eu tinha os meus 20 anos. Foi também o início da minha carreira musical. Quando cheguei ao Brasil o que me impressionou foi a grandeza e a beleza da cidade do Rio de Janeiro. A minha primeira ida ao “Cristo Redentor” e poder ver a cidade do Rio de Janeiro de cima foi marcante. Não esqueço tamanha beleza natural. Acabei por morar no Rio de Janeiro durante 38 anos.  Há cinco anos mudei-me para Salvador e agora no interior de São Paulo onde moro com a minha família há um ano e meio. Mantenho a minha ida ao Rio de Janeiro de quinze em quinze dias, onde tenho um Projecto Social de percurssão, no “Complexo da Maré”, onde vivem cerca de 600 famílias angolanas.

F&N - Saiu de Angola em 1975 fugido da guerra. E os seus pais? Deixou-os em Benguela?

A.D - Em 1974, os meus irmãos saíram de Benguela. E eu fiquei com os meus pais até 1975, mas a vida em Benguela ficou muito difícil. Ficamos sítiados e acabamos por fugir num barquinho de pesca que levou cerca de 1000 pessoas e com muita dificuldade conseguimos chegar a Luanda. Depois conseguimos ir para Portugal onde vivi com os meus pais até 1978. Quando vim para o Brasil deixei os meus pais em Portugal e, anos depois, eles vieram morar comigo. O meu pai já partiu, mas a minha mãe, de 92 anos, filha do Huambo, mora comigo. Eu cuido dela.

F&N – Hoje, passados estes anos todos, sente-se mais angolano ou mais brasileiro?

A.D - Nunca me senti brasileiro! Devo muito ao Brasil e aos brasileiros, que sempre me trataram e nunca me senti estrangeiro nesta terra  que me valoriza muito como artista, não só o povo como o próprio Ministério da Cultura do Brasil, que sempre valorizou e apoiou os meus projetos culturais. Mas, apesar de tudo, sempre me senti angolano, não só pelo que sou mas também por tudo que tenho feito pela minha terra, cultura e povo. Tenho uma História muito rica em prol das minhas origens que talvez as pessoas da minha terra não tenham a menor ideia.

F&N - Que história é essa? Conte-nos.

A.D - Sei que deixei boas recordaçoes na época da guerra, nos anos 80, quando as minhas musicas inspiravam os jovens. Naquela época já fazia musica angolana contemporânea. Fui, talvez, o primeiro artista angolano a fazer música angolana Pop, Reggae (Kimbele) Kilapanga (Mbembua, Ombaka) Semba (Madalena, Galera). Vários artistas que hoje fazem sucesso me dizem: “cota Abel, inspirei-me muito em você.” Tenho histórias, aqui no Brasil, que Angola não conhece, como, por exemplo, os meus projetos culturais e sociais. O projeto com os angolanos da Maré é um deles. Desenvolvo projetos culturais de divulgação da nossa cultura, como o  “Meu Semba, Teu Samba”, apoiado pelo Ministério da Cultura do Brasil, que me apoiou não só na produção do CD como também na digressão por várias cidades de São Paulo. O projeto de carnaval “Mwangolê”, em Salvador, o projeto “Ombaka DVD e shows”, o projeto nas escolas “Meu Brasil Africano”, enfim, muitos anos  a divulgar as nossas riquezas culturais e o quanto o Brasil tem de Angola na sua História e Cultura.

F&N - Em que consiste o projecto da Maré?

A.D - A Maré é o maior complexo de favelas do Rio de Janeiro. Lá vive a maior comunidade de angolanos no Brasil. Ali comecei com um projeto de Natal e depois uma escola de percurssão (www.percurssaonamare.com.br) onde cerca de 60 crianças aprendem música com aulas teóricas e práticas. Ali se formam músicos prontos e temos uma orquestra de percurssão. Actualmente temos 12 crianças que, na verdade, são filhos de angolanos, pois o projeto é para jovens de 12 a 18 anos . Os que nasceram em Angola mesmo são o cantor Nzagi e o seu irmão Elmer. O restante, como disse, são filhos de angolanos nascidos aqui no Brasil. O projeto atende angolanos e, também,  as pessoas da comunidade.

F&N - Ao longo do tempo que trabalha em prol da divugação da música angolana e da comunidade angolana aqui no Brasil, alguma vez teve o reconhecimento da Embaixada de Angola?

A.D - Nos anos 80 tive um grande amigo, o Cônsul e embaixador Ismael Dioga da Silva, que foi presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA). Este deu-me muito apoio e fizemos muitas coisas juntos. 

Confesso que foi o único que enxergou a minha arte pois todos os outros que se seguiram conseguem ignorar toda a História de um artista que ama e faz tudo pela cultura do seu país.

F&N - Se tivesse que fazer um apelo ao Ministério da Cultura angolano o que diria?

A.D - Diria que um projeto em conjunto para as escolas seria muito oportuno. A história não nega que o povo bantu foi o grande responsável pela formação da história, cultura e, até, economia do Brasil. Naquela época não era Angola, mas é a grande maioria do povo que hoje compõe Angola. Vieram do reino de Ngola, Cabinda, Benguela e outros que hoje fazem parte dessa grandiosa Nação, que é Angola. O povo brasileiro precisa saber disso, e a escola é o melhor ponto de partida.  Tenho tido respostas fantásticas das crianças. Esse Projeto educacional poderia ser feito em parceria com Angola.

F&N - As casas de Cultura de Angola no Rio de Janeiro e em Salvador têm contribuído para divulgação da cultura do nosso país no Brasil?

A.D - Vivi três anos em Salvador e tinha uma relação fantástica com o Dr. Camilo (Afonso) responsável pela Casa de Cultura de Angola. Fizemos várias tentativas, pois a Casa de Cultura de Salvador tinha verba própria. Mas ele sempre esbarrava na aprovação que tinha que vir da Embaixada. Até conseguimos um ano um pequeno apoio para o trio eletrico “Mwangolê”, mas depois que liguei para Angola e falei com o meu amigo Dr. Ismael Diogo, presidente da FESA. Mas foi tanto desgaste, tanta mendigagem que desisti. No Rio de Janeiro, à Casa de Cultura de Angola já dei conhecimento do meu trabalho ao novo Cônsul, mas nunca fui lembrado nem nas festividades organizadas nos ultimos anos. Jorge (Eurico), há horas que acho que a minha côr não representa a grande maioria da nossa terra. E aí as pessoas acabam não olhando para a minha alma angolana. É como me sinto quando sou posto de lado. Repara que não cabe aqui nenhuma reclamação, pois é até natural na cabeça de muitos. O que, de certa forma, me conforta é que todos que me conhecem profundamente não cometem essa discriminação. Tenho a certeza absoluta que se a cor da minha pele transparecesse o quanto angolano eu sou, ajudaria bastante. Mas digo de novo não tenho qualquer problema sobre isso, é apenas um comentário. Pois nunca sofri nenhum preconceito mais directamente. Amigo, faz parte da história e da ignorancia dos homens. Pior é o preconceito que os meus irmãos pretos sofreram e ainda sofrem. Comigo não seria diferente, só que ao contrário. Juro-te que acabo compreendendo um pouco, mas claro que sei que um dia isso vai passar.

F&N – Como fica a sua alma angolana diante disso?

A.D – Carente (risos)! Sinto-me só, abandonado. Mas logo depois, por coincidência, vem alguma manifestação ou mensagem linda, através do Facebook, de irmãos angolanos que me consideram muito e vale como incentivo para continuar. Desiludi-me bastante, confesso, pois teve hora que dava murro em ponta de faca e deixei a vida me levar.

F&N – É por isso que anda ausente do mercado musical angolano?

A.D - Voce é muito observador (risos)... Juro, do fundo do coração, que nunca, do povo (angolano), tive alguma manifestação de racismo. Nunca mesmo, até na época da guerra, sempre fui muito bem acolhido, inclusive pela classe artística. Tenho muitos amigos em Angola.

F&N – Esta manifestação de racismo vem das instituições?

A.D. – Sempre! Olha que aqui no Brasil também já sofri preconceito, principalmente de produtores brancos que estão à frente de eventos afros e acham que eu, sendo branco, não posso representar com verdade a minha Pátria. Como te digo, é ignorância. Não é maldade. Já fui convidado, no Rio de Janeiro, para ser atracção principal de um festival afro-época. O produtor artistico era, inclusive, meu fã e indicou-me como artista angolano. Mas depois acabaram desfazendo o convite. Em “off” esse meu amigo confessou-me que a direção do evento achava que eu não representava África. No Brasil muitos ainda têm ideia de uma África dos filmes de Tarzan. É preciso mudar essa visão.

F&N – O Brasil é um país racista?

A.D – Muito! O bom é que agora existem leis muito severas para quem pratica o racismo, mas ainda está muito no subconsciente do brasileiro. Vai levar o seu tempo, algumas geraçoes. Já mudou muito desde que aqui cheguei.  Graças às leis severas que punem quem pratica racismo.

F&N - De que forma a cultura pode ajudar a derrubar este tipo de preconceito?

A.D - As pessoas não são mais tão burras a ponto de ainda pensarem que existe diferença só porque a pele é mais clara ou escura. O problema é a maldade. O que a cultura pode ajudar é, sim, mostrar  de onde vieram os nossos grandes valores de cultura. A música, a força, a garra, a fé e o swing vieram de onde? De África.... de Angola, Moçambique e tantos países africanos. É o que nos faz diferentes do resto do Mundo. Conheço o mundo, e se tivesse que escolher onde nascer de novo escolheria, sem dúvida, o meu País, Angola. Amo do jeito que só eu amo. Acho que sou muito especial e não tenho dúvidas que devo isso à minha ancestralidade. Quando vou para as escolas com o  meu projeto “Meu Brasil Africano”, mostro exatamente isso para as crianças. Pegunto se elas se acham parecidas com os argentinos, venezuelanos ou chilenos. O Brasil é diferente de todos, graças aos africanos que habitaram nesta terra de 1500 a 1800, cerca de oito milhões, e a grande maioria, 60%, era povo bantu.

F&N - A presença de África no Brasil está mais acentuada em Salvador, Rio de Janeiro, Minas Gerais e não noutras regiões...

A.D - Salvador foi a primeira capital do Brasil. Foi lá que tudo começou. Depois veio o Rio de Janeiro com as plantações de cana de açucar e muitos africanos escravos saíram de Salvador para o Rio de Janeiro. Depois, com a descoberta das minas de ouro, Minas Gerais. Por último, São Paulo que na época explorava mão de obra indígena mas com a descoberta das minas de ouro em Mato Grosso, São Paulo passou a ser rota. Aqui mesmo em Rio Claro, o primeiro senso feito em 1822, foi registado que os primeiros africanos que aqui habitaram vieram do reino de Cabinda, Congo e Benguela. O sul do Brasil foi desenvolvido muito depois, e aí a emigração veio da Europa. Os negros sempre foram a grande maioria deste povo, então reconhecer a sua grandeza seria politicamente incorreto. Tanto que logo após a proclamação da República foram proibidos analfabetos e mulheres votarem, porque assim seria mais fácil manipular a política, pois a maioria dos negros, na época, não tinha acesso à educação. E é exatamente sobre isso que o meu projeto (Meu Brasil Africano) fala nas escolas. 

F&N – Por que o Brasil, hoje, parece ter mais afinidade com a Europa do que com África?

A.D - O dinheiro move o mundo. O que é necessário é falar da história e mostrar a verdade. O brasileiro tem de reconhecer a sua afrodescendencia, independentemente da cor de cada um. E, atenção: quando, em 1975, fui para Portugal, senti muito preconceito apesar de ser branco. Coisas da história (risos). Depois, quando mostramos o nosso valor, os tugas passaram a respeitar-nos. O que muito ajudou foi, sem dúvidas, a música, o merengue, o semba e, por último, a kizomba. A música é fantástica, vence qualquer barreira, o desporto também.

F&N - Como é que os brasileiros encaram o estilo musical cultivado por si ao longo dos anos por cá?

A.D – Encaram-no de forma diferente. Não é uma música fácil. Primeiro que o swing é, no contratempo, diferente da música ocidental. Depois, eu quase sempre canto em líguas nacionais, kimbundo, umbundu, kikongo e lingala. Mas eu acabo envolvendo as pessoas de uma forma teatral e tenho um timbre que favorece. Sempre procuro fazer um show roteirizado, contando uma História, o que favorece. Por isso eu digo que o meu trabalho é cultural e não comercial. Depois,  tudo tem uma explicaçaão. Eu canto Umbi-Umbi em língua nacional e um pouco em português e mostro como as línguas africanas são bonitas. Convido o público a cantar comigo. Aí já conquistei o público e tudo fica mais fácil. Contudo, é um caminho difícil. Mas muito gratificante, pois só eu faço aqui no Brasil. Sou diferente, o que torna o trabalho especial e feito com muita alma e verdade. 

F&N - Tem em forja algum disco para os próximos tempos?

A.D – Sim, estou a trabalhar num novo DVD do “Meu Brasil Africano” e já estou a preparar um novo trabalho “Sons de Ombaka”. Este trabalho estará pronto no próximo ano. As músicas já estão prontas, mas quero gravar o DVD ao vivo. Tenho o projeto aprovado no Ministério da Cultura (brasileiro). Neste momento estou em fase de captação de recursos. 

F&N – Por que os angolanos consomem mais música brasileira e o inverso não acontece?

A.D – Simples! É tudo uma questão de mercado. E a música brasileira tem tido uma grande parceira de divulgação, que são as TV’s e as novelas. Nos anos oitenta, só porque ía ao programa da “Xuxa” toda a semana, tornei-me tão conhecido no Brasil assim como também em Angola. A minha música tocava em todas as rádios de Angola. Hoje em dia faço música com muito mais qualidade, canto muito mais, pois aprimorei muito ao longo dos anos.  Tenho um CD recente gravado “Meu Semba, Teu Samba”, os sembas gravei com a “Banda Maravilha” e, no entanto, não toco em nenhuma rádio angolana. Se eu estivesse a fazer programas de televisão, a minha música decerto tocaria. É uma questão de agenda da  mídia.

F&N – O despertar para música foi consequência de um sonho ou um acaso?

A.D – Sempre foi um sonho, desde criança. Para mim a música e a minha africanidade vieram sempre de maneira natural... 

F&N - Que informações tem hoje da música e dos músicos angolanos?

A.D – Pouca, infelizmente. Pois o que me chega de novidade é o kuduro e não é o estilo musical que me seduz. Adoro o semba bem tocado com muito swing da Dicanza e para mim a grande referência ainda é a “Banda Maravilha”.

F&N - Estes anos todos de Brasil permitiram-lhe acumular riqueza e experiência culturais?

A.D – Sim, o Brasil e a sua música são muito ricos em harmonia. Tocar com músicos brasileiros sempre foi algo a mais. Sempre tive a oportunidade de ter, na minha equipa de músicos, grandes instrumentistas.

F&N – Que memórias tem hoje da música feita por si, com a participação de muitos artistas brasileiros, às vesperas das primeiras eleições realizadas em Angola?

A.D – Lembro-me como se fosse hoje. Compus a música, letra e música minhas em parceria com o meu percurssionista Zézé Mota, que infelizmente já partiu. Chamei Djavan, Martinho, Alcione e outro. Martinho e Djavan nem deram “bola”, mas a Alcione prontificou-se de imediato. Alcione era novinha, magrinha. Até hoje ela me agradece.  

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