PONTO DE ORDEM

 
31 de maio 2016 - às 06:51

A ÁFRICA QUE QUEREMOS

Existem no continente muitos programas para levar a África ao desenvolvimento e progresso, desde a agricultura, electrificação, industrialização, impacto social, reconhecimento dos quadros e talentos, mas que só se tornarão exequíveis se existir vontade política dos homens que nos governam, pelo que na passagem de mais um aniversário do Dia de África é oportuno apelar às lideranças para que se empenhem patrioticamente para uma mudança positiva da história do continente.

 

Maio é o mês de África e no dia 25 assinalou-se em todo continente e, por extensão, em todo mundo, o dia em que as atenções para aqui se apontam não só pelo caminho percorrido, que ainda continua sinuoso, mas  para lembrar das potencialidades que fazem dela uma parte mais rica em recursos mas que, paradoxalmente, mais fome e miséria ainda regista. Há 53 anos criaram os africanos a OUA, Organização da Unidade Africana, concebida então como o pilar que iria conduzir os países à sua independência das antigas potências coloniais e emancipação como estados soberanos e donos do seu próprio destino. Uma batalha que foi vencida e que obrigou, em 2002, na África do Sul, à transformação da OUA em União Africana, uma organização virada, - era essa a intenção,- para os objectivos do desenvolvimento, da fraternidade no âmbito de estratégias que levassem a um melhor aproveitamento das enormes potencialidades em recursos que o continente possui. Infelizmente ainda não se pode dizer que se está no caminho certo quando se constata a existência de novos conflitos entre estados irmãos, quando se verifica facilmente que o cordão umbilical com as antigas potências foi mal cortado e que se encontra aí o caminho para se abrirem feridas que acirram lutas fratricidas, quando se copia mal experiências de outros horizontes, quiçá mais desenvolvidos que a África, em estruturas e mentalidades para se implantarem sistemas democráticos que fogem da realidade idiossincrática dos povos, por isso mesmo atropelam os seus hábitos e costumes, onde se criam em muitos países o gosto pelo poder e se multiplicam governos autocráticos cujos líderes, por mais que contestados, em função de gestões calamitosas e que penalizam grandemente os povos, se querem eternizar nem que para isso se agrade os patrões ocidentais com portas abertas para a continuação da delapidação dos recursos, que se criem estados policiais com ditaduras camufladas que perigam a paz, aumentam a fuga de cérebros e, em substância, atrasam o desenvolvimento que se quer sustentável de África.

É esta a África que temos e se mostra, um continente com um povo optimista e esperançoso em melhores dias mas que hoje se debate com uma crise de liderança acentuada e que faz adiar o sonho para os primeiros deveres de casa que continuam por se fazer, traduzidos essencialmente, de forma geral, na erradicação do analfabetismo, na melhora e eliminação das grandes endemias para que os índices de mortalidade não continuem a ser elevados e se aposte decididamente na agricultura familiar para que a fome e miséria sejam erradicadas. E para que isso se cumpra na plenitude tudo repousa na vontade política dos homens, daqueles que nos governam e que têm de pensar no Todo e esquecer a ambição desmedida para o enriquecimento fácil e o espezinhamento dos seus povos. A liderança que a África hoje tem precisa de fazer uma introspecção para rapidamente apurar o porque do percurso errado que se percorreu de forma que os homens de valores que o continente já teve, desde Kuame Nkrumah a Mandela, possam servir de referência positiva, pelo seu empenho e auto-estima, à nova geração que toma o leme da governação e que os presidentes actuais possam, também, ser dignos de homenagens se saberem sair do poder com dignidade, lisura e sem pressão. 

Existem no continente muitos programas para levar a África ao desenvolvimento e progresso, desde a agricultura, electrificação, industrialização, impacto social, reconhecimento dos quadros e talentos, mas que só se tornarão exequiveis se existir vontade política dos homens que nos governam, pelo que na passagem de mais um aniversário do Dia de África é oportuno apelar às lideranças para que se empenhem patrioticamente para uma mudança positiva da história do continente. A Agenda 2063, um documento que mobilizou o intelecto da União Africana pode servir de guia de inspiração para essa mudança de mentalidades que se anseia.

A hora é essa.  

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital