DOSSIER

 
8 de January 2022 - às 16:29

Conferência climática: LÍDERES MUNDIAIS MOVIMENTARAM-SE PARA SALVAR A HUMANIDADE

O mundo tem de agir agora para "salvar a humanidade" dos impactos catastróficos do aquecimento global, insistiu António Guterres – o  Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2017 – antes dos líderes mundiais se reunirem em Glasgow,  para a tão esperada COP26, na 26.ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, que decorreu até 12 de Novembro. 

 

. Alguns líderes apresentaram várias soluções; comprometeram-se; outros nem tanto assim e
outros ainda decidiram simplesmente não marcar presença...

NOTA DE REDACÇÃO

Num último esforço para limitar o aquecimento global a 1,5°C ainda no decorrer deste século, mais de cem líderes mundiais - excluindo alguns conhecidos pelas suas posições hipócritas - foram capazes de se reunir sob o mesmo tecto para serem esclarecidos sobre o que realmente se passa; o que poderá acontecer se não se tomarem as medidas necessárias e adequadas para diminuir os seus excessos, o seu pouco ajuizamento sério ou a falta total dele, no que se relaciona ao futuro das gerações vindouras.
O que esteve em causa foi pura e simplesmente mais uma tentativa verbalizada e altamente mediatizada para a salvação da Humanidade. Será que a liderança das maiores potências mundiais se comprometeram para que , com efeito, mudaram de comportamento? Decidimos trazer à tona sucessivas adaptações de textos publicados antes, durante e depois da tão aguardada 26.ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, que decorreu de 31 de outubro a 12 de novembro na Escócia. O mundo esteve atento às intensas discussões,mas há que se continuar teimosamente a bater na mesma tecla: será que se traçaram estratégias globais mais sérias, justas e honestas, para que, cada um no seu país, no seu continente, saído desta conferência repensasse melhor nas suas acções? É o que vamos acompanhar, analisar e reflectir neste dossier.
Para uma reflexão imediata quanto à seriedade das questões climáticas, basta citar António Guterres, Secretário Geral da ONU, quando deu um recado claro aos líderes deste mundo, cuja sobrevivência está cada vez mais ameaçada:" "Já chega de brutalizar a biodiversidade. Já chega de nos matarmos com o carbono. Já chega de tratar a natureza como um banheiro. Basta de queimadas e de perfuração e de mineração cada vez mais profunda. Estamos a cavar as nossas próprias sepulturas!" C.M.

 


"É tempo de dizer "Basta ", disse Guterres a cerca de 120 líderes de todos os continentes e a milhares de delegados e observadores na COP – sigla em inglês de Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC), também conhecida na origem como “Convenção do Rio”, criada na Cimeira da Terra, que foi realizada no Rio de Janeiro em 1992.
"A humanidade tem brincando com o clima há algum tempo já. Falta um minuto para a meia-noite do relógio do dia do juízo final. Temos de agir agora", disse o primeiro ministro britânico Boris Johnson, anfitrião da evento, alertando para a raiva "incontrolável" que resultaria de um fracasso desta COP26, seis anos após o Acordo de Paris.
Boris acrescentou que "os nossos filhos, os não nascidos e os seus filhos (...), se falharmos, não nos perdoarão", fazendo eco das acusações de "blá blá blá blá" feitas recentemente pela activista sueca Greta Thunberg aos líderes mundiais.
A jovem, actualmente com 18 anos, líder do movimento Greve das Escolas pelo Clima – e muitos outros jovens activistas, foram a Glasgow para exercer pressão sobre os líderes, apelando aos bancos para "deixarem de financiar a destruição", reforçou Thunberg.
Os activistas apelaram aos bancos para que não emprestem dinheiro a empresas e projetos que utilizam combustíveis fósseis, tais como carvão, petróleo e gás natural. Numa petição online que já ultrapassou a marca de um milhão, apelam para "enfrentar a emergência climática. Não no próximo ano. Não no próximo mês. Agora". Resumindo as suas queixas numa simples palavra: "traição".
Os observadores esperavam que a reunião dos líderes do grupo G20, que são responsáveis por quase 80% das emissões globais de gases com efeito de estufa, desse um forte impulso à COP escocesa, que foi adiada por um ano devido à pandemia de COVID-19.
Uma questão de credibilidade - O G20 reafirmou em uníssono o objetivo de limitar o aquecimento a +1,5°C em comparação com a era pré-industrial, acrescentando uma ambição de neutralidade de carbono por volta de meados do século e o fim dos subsídios às centrais elétricas alimentadas a carvão no estrangeiro. Mas isto não convenceu as ONGs ou António Guterres, que expressou as suas "esperanças frustradas".
Os EUA têm apontado o dedo a Pequim, dizendo estarem "desapontados" com a falta de compromissos da China, a maior poluidora do mundo, e da Rússia no G20. Os presidentes chinês e russo foram os grandes ausentes na COP26, mas uma mensagem escrita de Xi Jinping ficou por ser divulgada.
As apostas da COP26 foram numerosas, cada uma mais difícil e explosiva do que a última, no contexto de uma pandemia global que enfraqueceu os países pobres já vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.
Primeiro: ambição. Os actuais compromissos dos cerca de 200 signatários do Acordo de Paris, se cumpridos, levariam a um aquecimento "catastrófico" de 2,7 ° C de acordo com a ONU.c
Enquanto alguns estão relutantes em acelerar a transição, que requer investimentos maciços, Joe Biden, pelo contrário, salientou a "incrível oportunidade" que isto representa para a economia mundial, assegurando que os Estados Unidos estavam prontos a "liderar pelo exemplo".
Quanto ao presidente francês Emmanuel Macron, apelou aos "maiores emissores" de gases com efeito de estufa para "aumentar a sua ambição nos 15 dias" da COP26, para "(re)credibilizar a nossa estratégia" de combate ao aquecimento global, referindo-se em particular à China e à Rússia.
Enquanto Pequim acaba de apresentar formalmente os seus novos compromissos climáticos, que incluem, mas não reforçam, as promessas feitas pelo presidente Xi Jinping; a Índia (outro grande emissor) está agora no centro das expectativas.
"Sobrevivendo" - Outro tema quente foi a promessa ainda não cumprida pelos países ricos de aumentarem a sua ajuda climática aos países em desenvolvimento para 100 mil milhões de dólares por ano a partir de 2020.
O objectivo foi de facto adiado três anos para 2023, reforçando a crise de confiança entre o norte, que é responsável pelo aquecimento global, e o sul, que é vítima dos seus efeitos.
"Para aqueles que têm olhos para ver, ouvidos para ouvir, e corações para sentir: para sobreviver, precisamos (limitar o aquecimento) a +1,5°C; 2°C seria uma sentença de morte para o povo de Antígua e Barbuda, Maldivas, Fiji, Quénia ou Moçambique, Samoa e Barbados", disse Mia Mottley, a primeira-ministra de Barbados no Caribe .
"Não queremos esta sentença de morte e viemos aqui para dizer: "dobrem os esforços, dobrem esforços", insistiu Mottley. "Queremos estar aqui dentro de 100 anos", acentuou.

 

Protesto em Milão, na Itália, pela justiça climática

ACTIVISTAS CRITICAM OS LÍDERES DO MUNDO

.Protestos em massa contra os países mais poluidores continuam...

Agora, com os efeitos visíveis das mudanças climáticas tanto em países ricos quanto nos pobres, os líderes se reuniram para o que os analistas esperavam ser a conferência mais significativa desde a Conferência do Clima de Paris. As mudanças climáticas têm dominado a agenda política em meio a extremos climáticos letais, a protestos em massa e, ainda, ao comprometimento de vários líderes mundiais com a descarbonização de suas economias até meados deste século.
"Nas últimas duas décadas, deixamos de enfrentar o desafio climático e passamos a viver em um estado de emergência climático", disse Shikha Bhasin, analista do Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água (CEEW), um observatório em Nova Déli, na Índia.

Como as mudanças climáticas afectam os animais?
Mas, a poucas semanas da COP26, grandes emissores, como China, Índia e Arábia Saudita, ainda não tinham apresentado novos planos. Um relatório publicado em Setembro pela ONU Climate Change, o órgão que organiza as negociações internacionais sobre o clima, concluiu que os planos actualizados respondem por apenas cerca da metade das emissões globais de gases de efeito estufa.
O Reino Unido, que sedia a cúpula juntamente com a Itália, quer que os países apresentem novos planos e pressiona por acordos concretos que ajudem a atingir esses objetivos. O primeiro-ministro Boris Johnson apelou para que líderes mundiais assumam compromissos ousados envolvendo "carvão, carros, dinheiro e árvores".
O Reino Unido pressiona por um tratado que "remeteria o carvão para a história" e propõe a interrupção da venda de carros com motor a combustão até 2040. O país também quer investir mais dinheiro para impedir o desmatamento.

Quem vai pagar a conta?- Uma questão no topo da agenda será quanto dinheiro os países ricos, que são os maiores responsáveis por poluir a atmosfera, enviarão para os mais pobres, que são os mais afetados pelas mudanças climáticas.
Em 2009, as nações mais ricas concordaram em desembolsar 100 bilhões de dólares por ano em financiamento climático até 2020. Mas, em 2019, eles ficaram aquém desse objectivo em cerca de 20 bilhões de dólares depois de terem subido apenas para 79,6 bilhões de dólares, de acordo com as últimas estimativas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nesses dez anos, a temperatura média da Terra subiu tanto que a última década foi a mais quente já registrada.
Analistas disseram que o pagamento é importante por duas razões. Primeiro, porque o dinheiro é necessário, mesmo que não seja suficiente para cobrir os custos das mudanças climáticas ou de uma transição para as energias renováveis. Mas também é uma questão diplomática, conta Jennifer Tollman, especialista em diplomacia climática do E3G, um think tank europeu sobre o clima.
"Qualquer negociação internacional é construída sobre uma base de confiança. A entrega insuficiente desses 100 bilhões de dólares está obviamente fazendo com que essa base desmorone até certo ponto", diz.
O que mais importa? - Os países mais vulneráveis às mudanças climáticas pediram uma maior atenção – e financiamento – para se adaptarem aos seus efeitos.
Além disso, há detalhes técnicos do Acordo de Paris que ainda precisam ser resolvidos antes de ele entrar em vigor de forma adequada. Isso inclui regras em torno de um mercado global de carbono – a forma como os países comercializam suas emissões e as "compensam" investindo em projetos que reduzem a poluição – e também a forma como os países devem informar formalmente os cortes em suas emissões.
As principais negociações, que se estenderam por duas semanas – de 31 de outubro a 12 de novembro –, reuniram líderes mundiais, cientistas, empresas e sectores da sociedade civil. Delegados de países mais pobres advertiram que as actuais restrições de viagem, a falta de vacinas e os custos de hospedagem dificultarão a participação, e isso torna mais difícil responsabilizar os países mais ricos e poluidores históricos.c
Na última COP, que ocorreu em Madrid, na Espanha, em 2019, as negociações duraram dois dias a mais que o previsto: negociadores frustrados lutavam para chegar a um acordo sobre o aumento das metas, mas, no final, não conseguiram chegar a um acordo sobre o mercado de carbono. DW

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