DESPORTO

 
6 de October 2020 - às 06:23

JOÃO MULIMA ANALISA O DESPORTO E A PANDEMIA “CUSTOS DOS TESTES DA COVID SÃO UM ABSURDO”

“Acho um absurdo! Os preços para os testes da Covid-19 são muito caros e, comparado com aquilo que é a média de preços no mercado internacional, os preços em Angola estão muito empolados e há uma inflação bastante grande. É inconcebível e  inaceitável”, acrescentou.

 

O médico angolano, João Mulima, não prevê, para breve, o regresso das competições desportivas em Angola. O especialista em medicina do desporto, quadro da FIFA desde 2019, afirmou em entrevista à revista “Figura & Negócios” não haver condições de biossegurança para os atletas competirem, em virtude da incapacidade dos clubes realizarem os testes.

“Não é, ainda, possível antever o regresso em breve das competições nacionais. Para tal, seria necessário avaliar as condições de biossegurança necessárias, para que este regresso aconteça de forma segura e a principal delas é a testagem. E, neste momento, o país não tem condições para a atribuição de testes às equipas desportivas”, disse, o responsável máximo do Centro Nacional de Medicina do Desporto, adiantando em seguida discordar com os actuais preços dos testes da Covid-19.

“Acho um absurdo! Os preços para os testes da Covid-19 são muito caros e, comparado com aquilo que é a média de preços no mercado internacional, os preços em Angola estão muito empolados e há uma inflação bastante grande. É inconcebível e  inaceitável”, acrescentou.

João Mulima admitiu, ainda, que “muitos clubes não terão condições de suportar os custos com estes testes”, pelo que antevê, dificuldades destas poderem entrar para as competições, “salvo se houver da parte de quem de direito uma subvenção ou então uma oferta de gratuidade dos testes”. 

O médico FIFA reconhece que o Governo está a fazer um esforço enorme para controlar a situação da pandemia e o Estado tem que velar por 30 milhões de habitantes, razão pela qual, entende que o sistema desportivo nacional, de forma unilateral, devia organizar-se e juntar-se aos esforços do Governo, na busca de soluções. 

“A minha proposta iria para que as associações desportivas e Federações que têm estado a receber subsídios de contenção, para o combate à pandemia das confederações africanas, deviam juntar-se e proporem ao Governo a disponibilização de um valor percentual, que pudesse ajudar na criação de condições de biossegurança para a retoma do desporto”, sugeriu o também médico das seleções nacionais de andebol e basquetebol. 

 

IMPACTO ECONÓMICO E DESPORTIVO “DESPORTO AINDA NÃO GERA RECEITAS”

João Mulima faz uma avaliação realista do impacto provocado pela pandemia nas agremiações desportivas do país. Se, ao nível desportivo, o médico considera que as equipas vão ressentir muito da ausência de jogos, com consequências para a falta de ritmo competitivo, já na vertente económica, o especialista garantiu que o impacto é quase nulo.

“O desporto, em Angola, ainda não gera receitas que contribuam para o PIB, que é o Produto Interno Bruto. A avaliação económica é insignificante. Mas, no capítulo desportivo e social é muito mais evidente, porque retirou-se uma forma de diversão da população e de elevação do nível da saúde dos cidadãos, através da prática desportiva”, disse. 

O especialista em medicina do desporto garantiu não haver motivos para que os atletas venham a enfrentar  problemas físicos, “porque só estão inactivos os atletas que forem irresponsáveis”. Segundo o médico, “quem for responsável poderá manter-se activo de forma individual”, desde que cumpra com as orientações das unidades sanitárias.

“Há essa abertura para que as pessoas possam praticar a atividade física individual. Portanto, só estará inactivo  quem for irresponsável e não tiver o sentido de profissionalismo. As consequências poderão não ser físicas, mas de falta de ritmo competitivo, que são consequências desportivas”, destacou.

Aconselha, por isso, os atletas a serem responsáveis,  acima de tudo, “no cumprimento de todas as medidas de biossegurança e na manutenção dos treinos individuais”, de forma a que não tenham consequências físicas, tão-logo retome as competições. 

“Aqueles jogadores que não adoptarem bons hábitos voltarão da pandemia com consequências significativas, em relação ao peso, sobretudo quem não tiver uma alimentação cuidada, também poderá regressar com baixo nível de condição física, se não exercitar de forma regular. É necessário que os hábitos de vida sejam regulados”, afirmou João Mulima, garantindo que tudo dependerá muito “do que se come e do que se treina”  durante esta fase de pandemia.

 

GIRABOLA

“NÃO HÁ CONDIÇÕES PARA ARRANCAR”

O regresso do maior campeonato de futebol do país, o Girabola, ainda é uma indefinição. De acordo com o médico especializado em medicina desportiva, o futebol não está isolado do actual contexto, que impõe os seus intervenientes à várias restrições.

“Não acredito que o Girabola tenha condições para arrancar, assim como as outras competições, enquanto o país não tiver condições de garantir a testagem de todos os atletas. O futebol não está isolado do contexto e impõe-se, também, as mesmas condições”, disse João Mulima, para em seguida acrescentar ser imperioso que se crie todas as condições necessárias para de biossegurança.

“O mundo todo enfrenta a situação e, neste caso, uns mais que outros, mas de qualquer forma todos retomarão partindo do mesmo ponto”, sublinhou.

O médico acredita, igualmente, que as equipas angolanas que, eventualmente, venham a participar nas competições internacionais, as perspectivas não são boas. E justifica o pessimismo com o facto de haver outros países em melhores condições sanitária distinta de Angola.

“Perspectivo resultados negativos das nossas equipas nas competições internacionais. Penso que haverá desníveis. Há países que estarão muito bem e outros muito mal, dependendo de como foi a situação sanitária nestes lugares. Existem países que conseguiram controlar a situação de forma muito mais rápida, também mais rapidamente voltarão à actividade desportiva. Esses estarão num nível bem melhor e vão, com certeza, tirar melhor partido deste factor”, esclareceu.

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