RECADO SOCIAL

 
22 de julho 2019 - às 08:13

UM CONGRESSO "CHATO" E INDIGESTO

Para alguns, o VII Congresso Extraordinário foi mesmo uma realização "inoportuna" e sem qualquer interesse político que vincasse, uma vez mais, o facto de que só devia ser do Comité Central partido quem viesse de trás, dos tempos em que  devia ser do partido quem merecesse e não quem quisesse. E de repente, muitas caras novas, jovens  com atitude, muito bem formados, grande parte dos quais no estrangeiro e alguns até "pescados" de partidos políticos adversários. 

 

O número de delegados ao  VII Congresso Extraordinário do MPLA não terá sido insólito, mas a sua qualidade representativa, académica fundamentalmente, foi notável e de longe superior às que foram registadas até agora. Neste conclave,pela primeira vez   sentiu-se o peso do novo líder nas escolhas e opções.  A si,  foram entregues numa bandeja de prata todos os louros conquistados antes, durante e depois de se ter colocado na mesa a necessidade urgente de se  ampliar o Comité Central do partido. 

No ar, ficou clara a ideia de que chegou a hora de muitos "kotas arrumarem as bicuatas e irem pra casa", como bastas vezes se ouviu nos corredores do Centro de Convenções de Belas. Assim mesmo: sem curvas.E terá sido também aí que muitos dos mais velhos colocaram as contas em dia...Do passado, do presente e dum futuro que já parece incerto.

Esteve mais do que evidente que não houve reticência alguma em se aumentar o número de membros do Comité Central:pouco importava se fossem mais cem ou duzentos os que entravam, pois os que lá estavam , permaneceriam sem ser beliscados, apesar de alguns, fartos destas mudanças bruscas,  preferiram faltar à reunião magna do "seu" partido, a fim de traçar o seu destino, com juízo: cuidar dos netos e das posses materiais adquiridas ,sobretudo em nome do partido/estado/governante, ao longo de mais de quarenta anos.

Pois é. Este congresso extraoridário foi uma "seca" para muitos da chamada "velha guarda" ou "núcleo duro e casmurro". Assistir, mais uma vez, a um "triste " espectáculo de putos foi um facto político difícil de engolir pelos  velhos "maquisardes", ainda por cima numa manhã friorenta, muito susceptível de se contrair uma crise reumática ou respiratória aguda...

Ainda assim, viu-se na sala pejada de gente jovem proveniente de todas as origens tribais e credos religiosos, vários "pesos pesados" da história antiga do MPLA. Com coragem  mais do que revolucionária, lá estiveram desde o princípio até ao fim dum encontro "chato, atrevido e muito barulhento" em certos momentos de delírios juvenis.Momentos que nada tinha a ver com os  seus  territórios e faixas  etárias...

Para alguns, o VII Congresso Extraordinário foi mesmo uma realização "inoportuna" e sem qualquer interesse político que vincasse, uma vez mais, o facto de que só devia ser do Comité Central partido quem viesse de trás, dos tempos em que  devia ser do partido quem merecesse e não quem quisesse. E de repente, muitas caras novas, jovens  com atitude, muito bem formados, grande parte dos quais no estrangeiro e alguns até "pescados" de partidos políticos adversários. 

Este facto preencheu a alma de alguns kotas mais radicais de  forma mais negativa que se possa imaginar. E vontade  de "derraparem" daquele congresso não lhes faltou,nomeadamente nos momentos em que, desafiantes, alguns jovens tentavam propor algumas "selfies"...Que chatice!!! Todavia, certas deserções foram notadas e justificadas.É que já nem todos conseguem aguentar duas horas seguidas sentados , sem sentir uma vontade enorme de cumprir rigorosamente com os mandamentos fisiológicos da ordem em idades sensíveis à tantas intempéries que a vida longa continua a obrigar.

Soube-se que alguns dos mais velhos já não puderam estar presentes na derradeira sessão de encerramento,ocorrida no pavilhão multiusos; um verdadeiro martírio para quem não se aconselha a ouvir e sentir tanta amplificação sonora. Os que se arriscaram a ouvir o que não deviam, arrependeram-se certamente, mas pelo menos lá foram vistos pelo chefe, fazendo-se saber que estão com ele, apesar dos pesares. Bom este "apesar dos pesares" é que muitos não querem ainda dizer o que de facto será, mas pode-se arriscar: tudo na vida tem um fim e o fim , para muitos, terá chegado com a realização do VII Congresso Extraordinário do partido. 

 

Carlos Miranda
carlosimparcial@gmail.com.

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