MUNDO

 
22 de julho 2019 - às 08:04

ITALIANOS AGUARDAM CASTIGOS DA U.E. ITÁLIA TENTA EVITAR PROCEDIMENTO POR DÉFICE EXCESSIVO

Itália é o novo problema da União Europeia. As dificuldades económicas eram conhecidas, mas agora o país está em risco de penalizações, devido à sua dívida. A situação de Itália é considerada como a maior ameaça à Eurozona, sendo comparável a um Brexit sem acordo – considera o Fundo Monetário Internacional

 

A dimensão económica e populacional não é a de Portugal ou da Grécia, mas poderá ser o primeiro dos grandes estados a conhecer castigos do bloco. O ministro italiano das Finanças tenta evitar as sanções e garante a vontade de cumprir a meta do défice orçamental. Giovanni Tria diz que vão ser cortadas despesas, preferencialmente à subida das taxas dos impostos.

A desaceleração da economia transalpina, em 2018, tramou as contas. Agora, Itália promete redução da despesa, incluindo em matéria social. Para 2020, Giovanni Tria promete um défice de 2,1% do produto interno bruto.

As garantias de Giovanni Tria aconteceram em Londres, numa reunião com vários responsáveis de instituições financeiras e banqueiros, a 19 de Junho. Porém, dias antes, a 14, na reunião do Eurogrupo, o ministro italiano tinha garantido que Itália não precisa de medidas para baixar a sua dívida.

Os parceiros do Euro querem que Itália cumpra as regras, sob pena do sistema tremer mais e criar mais impactos na economia do bloco. Os governantes tentam travar a vontade da Comissão Europeia em abrir um procedimento por défice excessivo – proposta apresentada a 5 de Junho. Porém, não abdicam do esforço que o país terá de realizar.

O executivo de Bruxelas admite mesmo que a dívida italiana pode agravar-se. Em 2018 situou-se em 132,2% do PIB. As previsões da Comissão estabelecem 133,7%, neste ano, e 135,5, para 2020. O limite situa-se em 60%. Sinal desse caminho negativo foi o agravamento em Abril, atingindo 2,373 biliões de euros.

Entre os conselhos, a Comissão recomenda acções que actuem face a fuga ao fisco, no combate à corrupção e para a resolução do crédito malparado. 

Por seu turno, o primeiro-ministro italiano garante o cumprimento das regras, mas pretende a alteração de alguns aspectos. Giuseppe Conte pretende a criação de novos mecanismos para a estabilidade e o crescimento, além de mexidas na partilha dos riscos.

O FMI prevê que, em caso de se confirmarem os piores receios na UE, a Zona Euro viva um período considerável com fraco crescimento e fraca taxa de inflação. 

 

Inflação não dispara - O comportamento da inflação na Zona Euro continua a desiludir. Devido à progressão abaixo do objectivo de 2%, o Banco Central Europeu prepara-se para apresentar incentivos ao crescimento económico. Os dois dos medicamentos são antigos: cortes nas taxas de juro e voltar a comprar dívida.

O FMI prevê que a Zona Euro apresente um maior crescimento no final deste ano mas, caso os riscos se materializem, o fundo conta com um período prolongado de baixo crescimento e baixa inflação.

A Markit, agência de informação económica e financeira, revelou previsões sobre a União Europeia, relativa a Maio. Embora positivas, não são completamente animadoras. As economias da Alemanha e de França mostraram-se positivas. Mas Itália está em recessão ligeira. As previsões apontam para um crescimento débil da Zona Euro, em 2019.

Os elementos apurados indicam que, no primeiro trimestre, a economia europeia cresceu 0,2%. Uma desaceleração face aos três meses anteriores, que registaram uma subida de 0,4%. Todavia, a agência assume que ainda não tem a totalidade dos dados de Junho.

Os dados oficiais apontam para uma melhoria da economia da União Europeia. O Eurostat anunciou uma progressão do PIB em 0,4%, nos primeiros três meses em comparação com o trimestre anterior. Em comparação com o período de Janeiro a Março de 2018, a taxa melhorou 1,5%. Na Zona Euro, a progressão foi de 0,4%, em cadeia, e de 1,2%, em período homólogo.

Portugal está acima da média dos seus parceiros de moeda. Em cadeia, a economia melhorou 0,5% e, em termos homólogos, 1,8%. Esta foi a quarta vez consecutiva que consegue melhor desempenho. 

Outra notícia negativa pode vir da Alemanha. O Deutsche Bank prepara-se para uma grande reestruturação, devido a activos tóxicos calculados em cerca de 50 mil milhões de euros, representado perto de 14% das contas da instituição.

O The Financial Times adianta que a constituição dum «banco mau» pode ser a solução a apresentar, a quando da divulgação dos resultados do primeiro semestre, que deverá acontecer a 24 de Julho.

Esta é uma possível consequência pelo falhanço da fusão com o Commerzbank, que criaria o terceiro maior banco da União Europeia. Os problemas do Deutsche Bank têm um impacto real, uma vez que é o terceiro maior da Zona Euro, o sétimo da UE e 14º do mundo, segundo a agência Bloomberg. 

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