RECADO SOCIAL

 
25 de junho 2019 - às 08:16

INVESTIGAR, JULGAR E CONDENAR, JÁ!

 

No próximo mês de Setembro, João Manuel Gonçalves Lourenço fará dois anos desde que se tornou Presidente da República. Embora muitos dos seus detractores não admitam, é mais do que evidente que o novo líder tenha herdado um país com o estado de alma literalmente estraçalhado terrivelmente mergulhado numa crise económica provocada não apenas pela baixa do preço do barril de petróleo,  mas, sobretudo, porque durante mais de trinta anos a Transparency Internacional sempre colocou Angola na lista vergonhosa dos países mais corruptos do mundo! Até 2017, ninguém teve mais dúvidas. De facto, o país tinha sido tomado de assalto por um grupo de mafiosos organizado.

Todos os dias vão se descobrindo as entranhas de uma nação atolada num lamaçal de vícios muito difíceis de serem ultrapassados se o combate à corrupção e ao nepotismo, decretado ao mais alto nível do Estado, não for levado a sério, com a entrada em cena dos órgãos da Justiça, desde a base até ao topo. Sem serem manchados por alguns que ainda teimam em vestir o manto da Justiça, ainda que se saiba que fizeram parte de um sistema que atropelava tudo e todos em defesa do Poder.Aguarda-se a todo o instante uma reviravolta no posicionamento de quem tem o poder de decisão de investigar, apurar os factos,  julgar e condenar  quem esteve em contramão da verdade pura e dura da Justiça na sua incontornável essência.

Mais do que tudo, nessa fase exige-se acção, mais informações sobre os processos criminais instaurados ao longo dos últimos tempos, sem que se olhe às origens políticas e sociais, classes,cor dos olhos ou graus académicos dos potenciais candidatos a sentar-se nos bancos dos réus à  escala de todo o país.

É verdade que à alguns dos que cometeram crimes lhes foi concedido uma espécie de  período de graça, de nojo, a ver se ganham juízo. Todavia, esta fase em que também ainda se dá o "benefício da dúvida" tem de passar para que o país não esteja à mercê de algumas decisões legais de última viagem como há alguns anos se foram decretando para que muitos "abutres" do erário público se safassem.  Já se contam às centenas os que "tiraram o pé da argola" porque lhes foi dada a tal oportunidade, muitas vezes arquitectada ao mais alto nível, por razões sobejamante conhecidas. É que foram muitos anos de "cabritismo", "compadrio", "amiguismo" e outros "ismos" prejudiciais à gestão dos cofres públicos.

 Enquanto isso, teima-se ainda em  estabelecer-se uma ponte para possíveis negociações, no sentido de muitos "tubarões" espiem os seus pecados; forçam-se estratégias miraculosas com  quem claramente colaborou  para que o país fosse surripiado em centenas de biliões de dólares (grande parte deles colocada nas mãos de estrangeiros). Um roubo descarado com rostos e nomes  que fizeram com que milhões de cidadãos estivessem desempregados, entregues à   delinquência e aos crimes violentos. 

É neste clima que os mais pessimistas timidamente começam a passar  alguns certificados de incompetência a alguns dos nomeados para exercerem cargos governamentais neste tempo novo.É que alguns têm dado sinais que são mesmo incompetentes ou , no mínimo, desleixados. Nestas circunstâncias, já seria de esperar que  possa eclodir, mais cedo do que tarde, uma onda de  manifestações de desapontamento, nomeadamente nas redes sociais e quem percebe do impacto que elas vão tendo na sociedade, tem de as levar a sério.

 

Carlos Miranda
carlosimparcial@gmail.com.

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