MODA & BELEZA

 
25 de junho 2019 - às 08:13

LUTA CONTRA A EXCLUSÃO CONTINUA... A MULHER NEGRA E O ESPAÇO NA MODA

As mulheres negras têm sido excluídas dos editoriais e passarelas da moda e beleza há anos, e, consequentemente é muito difícil encontrarmos inspirações que de facto traduzam o que procuramos e que não tiram a nossa identidade. Para piorar a visão da mulher negra dentro do mundo fashion, em consequência do domínio de estilistas brancos nas passarelas e no comando das marcas, e é claro, o facto de tudo ser vendido dentro dos padrões eurocêntricos cultivados pela sociedade como o que é bonito e aceitável, a nossa cor e nosso cabelo são cada vez mais excluídos

 

 

Entre as muitas complexidades de ser mulher negra e aceitar essa identidade, está  a nossa relação com a moda. Conseguir livrar-se das tendências impostas pelas passarelas é importante para todas as mulheres, principalmente para uma construção de hábitos de consumo conscientes.

Mas, para as mulheres negras, libertar-se das imposições da moda pode ser também uma luta de afirmação de identidade, e á mostrar resistência diante dos desafios de enfrentar no mundo. Mas também sabemos que estes não são os únicos meios, principalmente com o aumento de colectivos negros com o foco no empoderamento e a facilidade que a internet proporciona de se conhecer a ancestralidade e cultura negra com uma busca por músicas, filmes e livros, não somente na representação fria que a moda faz.

Em 56 anos de celebração do Dia de África  ainda não dá para ter uma visão positiva, considerando o quanto se tem ainda por caminhar e barreiras de preconceito a se quebrar, desde os ateliers e desfiles até as revistas e marcas de roupas que falham na pesquisa sobre referências africanas e vendem se apropriando da cultura (a  maioria sem usar mulheres negras para estampar os editoriais, sejam eles temáticos, sejam eles “mistos”).

Ainda bem que não  nos deixamos ser reduzidas no meio da cultura. Para as mulheres negras, se a moda não as representa, elas representam a todas as outras com a moda delas. Sabemos que o ideal seria crescer sem medo da própria cor e sem ceder a pressões sociais para sermos aceitas e, consequentemente, nunca termos que esconder a nossa identidade. Mas enquanto isso não  se tornar natural em nossa sociedade, o que nos resta é procurar conhecimento e empoderamento por conta própria.

Assim, buscaremos, sob o aporte da estética e da poética, analisar a composição da aparência negra; seus papéis e códigos sociais, seus arranjos, tendências e referencialidades em vigor. 

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