DESPORTO

 
25 de junho 2019 - às 08:08

CAMPEÃO DO GIRABOLA SEM DERROTAS, DEFESA MENOS BATIDA E COM MUITOS GOLOS

Agora  com treze  títulos conquistados, o "1º de Agosto" está a três de atingir o número (15) de feitos logrados até aqui pelo crónico rival, Petro de Luanda, desde que o Girabola começou a ser disputado, há quarenta e uma edições. Para a equipa militar, trata-se do desfecho airoso de todo o investimento feito para a época futebolística de 2019, em que o campeonato era o primeiro objectivo, conforme assumido , na primeira pessoa, pelo presidente do clube, Carlos Hendrick, desde o ano de 2016

 

"1º DE AGOSTO" RUMO AO PENTA-CAMPEONATO 

Contas feitas, o segredo do 1º de Agosto foi, em comparação com os seus rivais, a eficiência que evidenciou em campo em muitos sectores do seu plantel, no sentido de só ter  permitido, em trinta jornadas, sofrer nove golos e produzir 49. 

Há que destacar aqui o brilhante desempenho do guarda-redes Tony Cabaça - sempre primeira opção do técnico Dragan Jovic - e a dupla de centrais Dany Massunguna / Bobó, que ainda teve a ousadia de marcar três golos cada.

No dia da conquista, o guarda-redes mostrou-se  feliz, a julgar pelas suas palavras: "Tenho de agradecer a todo o grupo de trabalho, à minha família, à direcção do clube e aos nossos adeptos pelo apoio que nos deram e dizer que vamos continuar a trabalhar para dignificar este emblema. Foi um campeonato difícil.Porém, tínhamos de defender os nossos títulos e felizmente conseguimos. Estamos a colher o fruto de todo um trabalho bem feito".

No ataque, os militares criaram inúmeras situações de golo e, apesar de finalizarem mais do que as outras equipas, a safra de tentos podia ser maior, caso os avançados tivessem a pontaria afinada. Para a glória colectiva, somam-se-lhes também outros protagonistas como os defesas  Isaac, do lado direito (às vezes rendido por Mingo Bille) e, na esquerda, as irrepreensíveis actuações de Paizo e Natael.

Sem dúvidas que, no ataque, a equipa agostina não chegaria onde chegou sem o abono de família que foi Mabululu - melhor goleador do campeonato com 14 golos - mas é bom que se diga que, igualmente, resultaram os investimentos para as aquisições dos  avançados Kila e Dago, vindos do Congo Democrático, Vita Clube de Kinshasa, e Motema Pembe respectivamente.

Mabululu,  mesmo vindo de uma equipa de pouca monta (Domant FC do Bengo), esteve na mó de cima e cumpriu muito bem o furo deixado na equipa pelos avançados Razaq e Jacques, cedidos para o Desportivo da Huíla.

Na luta dos melhores marcadores superou o brasileiro Tiago Azulão, do Petro de Luanda, detentor do trono nas últimas três épocas  e ainda o dianteiro do FC Bravos do Maquis, Chico, com 13 finalizações.

"A concorrência foi muito forte, mas graças aos meus colegas e a equipa técnica consegui me enquadrar bem na equipa e fazer golos que tanto gosto de marcar. Sabia que vinha para um grande clube e que teria de trabalhar muito e felizmente consegui. Dedico o título a Deus, à minha família, à direcção do clube e aos nossos adeptos", disse o goleador, em declarações à imprensa.

Concretamente, Mabululu facturou em 11 jogos, tendo bisado em três ocasiões - diante do Santa Rita de Cássia, na 4ª jornada (5-0), frente ao ASA, na 18ª (4-0) e diante do Progresso do Sambizanga, na 21ª ronda (3-0). Dentro da equipa superou em dobro os golos de Ary Papel, com sete tentos.

O técnico Dragan Jovic é visto como herói por fazer com que os militares atingissem os seus objectivos. O sérvio  havia cedido o lugar a Zoran Maki, por questões de saúde, problemas que já estão ultrapassados a cem por cento. Chegou ao país quando já haviam sido disputadas duas jornadas e juntou-se a um grupo que bem conhece, pois conquistou o bicampeonato antes de sair para o seu tratamento.

A direcção liderada pelo general Carlos Hendrick colocou todas as condições à disposição da equipa técnica, que além de Dragan Jovic, contou com os adjuntos Ivo Traça e Felipe Nzanza, antigas estrelas do clube, numa campanha denominada "Rumo ao Tetra", que logrou para a alegria dos rubro negros.

Por tudo isto, foi grande a festa nas hostes do clube militar - desde jogadores, treinadores, adeptos e dirigentes. O presidente da Mesa da Assembleia Geral do 1º de Agosto, Egídio de Sousa Santos, sublinhou que estavam todos muito felizes com mais este título. "Foi uma competição bastante difícil, mas felizmente os jogadores e equipa técnica souberam suportar a pressão e atingir o objectivo. Todos tiveram a sua participação nessa conquista.Por isso, não posso individualizar porque os títulos são colectivos", sublinhou.

O  presidente de direcção, Carlos Hendrick, exaltou que o colectivo conseguiu atingir o tetracampeonato, focando-se,  já a partir de agora, no pentacampeonato. "Sabíamos que seria difícil, mas temos um bom grupo que consegue ultrapassar as adversidades que enfrenta", salientou.    

Enquanto isso, o Petro de Luanda, sob a direcção de Tomás Faria, mais uma vez terá de esperar, como vem fazendo já desde o ano de 2009. Este responsável era ainda, em 2011, vice-presidente para o futebol, quando prometeu uma equipa que conquistaria o campeonato, mas até hoje não consegue alcançar este feito.

Em 2014, acabou eleito  sétimo presidente de direcção do Petro de Luanda, e, na presença de antigas glórias do clube, augurou o mesmo. Não resultou. O ano passado reafirmou o compromisso de continuar a satisfazer os sócios, adeptos e público em geral, com a manutenção e conquista de títulos em futebol. O Petro de Luanda sentiu, assim, o pássaro a fugir, quando não dominou a 1ª volta. Demonstrou que, este ano, embora não assumisse directa e oficialmente como objectivo principal - vencer o campeonato - seria difícil, embora ostentasse os galões de 15 títulos.

À semelhança das épocas anteriores, a luta dos tricolores voltou a ser acérrima, do princípio ao fim, enfrentando adversários de elevado grau de dificuldades, como foram os casos do 1º de Agosto, Kabuscorp do Palanca, Desportivo da Huíla, Interclube de Luanda e Progresso do Sambizanga.

Dado o fraco pecúlio dos tricolores nos últimos anos,  resta saber se a direcção voltará a apostar no técnico Toni Cosano e em jogadores cuja produção em campo não justificam os altos salários que auferem e, muito menos, conseguem ajudar a equipa a colocar um ponto final na "longa travessia que protagonizam no deserto".

O Desportivo da Huíla, tido como clube satélite do 1º de Agosto, surpreendeu pela positiva. Terminou na terceira posição, com direito às Afrotaças, feito não logrado pelas equipas tidas superiores a si, como o Recreativo do Libolo ou o Interclube. Já o Kabuscorp do Palanca, sem fazer uma época memorável,  poderá ir às competições africanas, caso não seja punido pela FIFA, por incumprimento da dívida de 87 mil euros, que deve ao brasileiro Rivaldo. O Atlético Sport Aviação e o Santa Rita de Cássia baixam de divisão.

 

Texto: António Félix / Fotos: Arquivo NET

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