RECADO SOCIAL

 
19 de fevereiro 2019 - às 09:11

JUSTIÇA, JUSTIÇA, JUSTIÇA

O país todos os dias acorda com notícias que traduzem o desejo da maioria silenciada há décadas: um desejo  bastas vezes reprimido por aqueles que exactamente hoje pensam que sobre as suas cabeças mais cedo do que tarde vai cair a espada da justiça. 

 

De repente, para alguns dos que até então detinham o poder de escangalhar literalmente os sonhos da maioria silenciosa, o mundo começa  a desabar. Tudo gira à volta de uma palavra que apesar de ser valorizada na Lei Mãe de Todas Leis - a Constituição da República, foi pisoteada, votada propositadamente ao esquecimento durante os sucessivos actos lesivos aos interesses mais nobres do Estado perpetrados ao longo de décadas. 

A palavra que assusta muita gente protegida como "filhos de boas famílias" é Justiça. Tantas vezes citada e proclamada nos discursos  como o suporte da democracia, da igualdade de oportunidades, e da defesa dos ideais da República, a Justiça foi também pura e simplesmente ignorada pelas próprias instituições criadas para que ela fosse capaz de minimizar o sofrimento da maior parte das populações que por conta daqueles que agora começam a sentir o seu peso, foram se empobrecendo, de tal forma que o país engrossa a lista dos que mais passam fome, vivem a miséria extrema e têm o seu futuro dependente do investimento estrangeiro.

O país todos os dias acorda com notícias que traduzem o desejo da maioria silenciada há décadas: um desejo  bastas vezes reprimido por aqueles que exactamente hoje pensam que sobre as suas cabeças mais cedo do que tarde vai cair a espada da justiça. 

Em apenas um ano, eis que o clima aqueceu de tal forma que os desagasalhados mostram-se mais protegidos e os que despiram o país tentam a todo o custo apegar-se a mil e uma formas de estratagemas para, no mínimo, puxar uma pontinha de um cobertor jurídico qualquer para que safem a pele deste verdadeiro inferno justiceiro.

O país dos mil e um multimilionários começa a despertar diante de uma vaga de detenções de indivíduos indiciados pela Justiça por alegadamente terem cometido crimes graves. Há pouco tempo, isto seria  inimaginável, impossível de ter lugar num país transformado em "quintas" da luxúria, da gatunagem generalizada, da máfia encapotada e protegida por alguns que um dia juraram fidelidade à Pátria e proteger os seus valores morais e éticos. 

Descobriu-se agora que, de facto, Angola esteve à beira de um colapso com consequências sociais que vão durar décadas para que sejam sananas pelas futuras gerações e , pelos vistos, nem  todas estas detenções, preventivas que provavelmente darão lugar a julgamentos justos, poderão pagar o quadro económico-financeiro dramático herdado. 

Renasce a esperança. A cada dia que passa, o mundo vai despertando com a certeza de que Angola decidiu marcar de uma vez por todas a diferença neste combate  à corrupção que se  vai consolidando um pouco por todo lado desta África, cuja riqueza continua a ser alvo de uma pilhagem secular devido a existência de uma geração de líderes políticos  de má memória que deteve os poderes em quase todos os seus países. Alguns estão vivos, ricos e cheios de saúde. Logo, com forças suficientes para se sentar no banco dos réus.

Passo a passo, os nós se vão unindo formando um cordão  forte que puxará para o precipício todos aqueles que ao longo das últimas décadas mergulharam o país na miséria extrema. Ainda se está por descobrir aonde é que  foram parar as centenas de bilhões de dólares roubados e que  destino  será dado à parte de leão  desta fortuna que daria para  acabar com a fome no país e arredores.

Todavia, o momento é de alguma frustração, uma vez que os mesmos que delapidaram o país são exactamente os mesmos que continuam a usufruir do direito à defesa de alguns  dos que sempre viveram à larga devido a uma persistente bajulação esquematizada nos corredores dos poderes instituídos.São os mesmos que sempre viveram  sob protecção de um grupinho instalado ao mais alto nível do país político e empresarial de grande porte, ora por outros "players" colocados estrategicamente no governo ou nas instituições públicas mais importantes do país. 

Entretanto, as forças do bem, pela justiça e pelo retorno ao país de tudo quanto se delapidou, começam a remar para o mesmo lado até que todos nós nos sintamos  livres desta canalhada. 

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