RECADO SOCIAL

 
8 de maio 2018 - às 11:44

VERGONHA REPRESENTATIVA

O que os nossos “ilustres” deputados do povo declararam e assinaram por baixo, é que eles, numa só galheta, deitaram por terra a confiança depositada em si durante todos estes actos eleitorais realizados à custa de centenas de milhões de dólares arranjados pelo trabalho honesto  dos cidadãos contribuintes. 

 

Poucos dias depois de os deputados terem tido a primeira oportunidade de serem vistos pelos seus eleitores, ao vivo e com todas as cores, eis que logo no primeiro acto de um ciclo que vai durar penosos cinco anos, deram um exemplo de absoluta ingratidão. 

Os duzentos e vinte  parlamentares, considerados como  dignos representantes do povo, fizeram jus ao que há dezenas de anos já se desconfiava: fazem parte da poderosa elite política que manda , faz e desfaz o país sempre que os seus interesses estejam em jogo. Foi assim com os deputados da primeira, da segunda, da terceira República, e continuará a ser assim enquanto esta geração de políticos não passar definitivamente  para a história.

E o que desta vez fizeram os nossos dignos representantes no parlamento? Que “pecado” cometeram, para além de terem sido “solidários” ou cúmplices  (pelo menos a maioria) na aprovação do Orçamento Geral do Estado mais miserável desde que Angola se conhece como um país em paz? O que estes senhores fizeram neste ambiente económico  desfavorável, só comparável ao  do tempo da guerra que trucidou o país inteiro, em que as pessoas desejavam apenas sobreviver, acordar no dia seguinte para conseguir um pedaço de pão, uma réstia de esperança num futuro melhor para os seus filhos? 

Pois é. O que os nossos “ilustres” deputados do povo declararam e assinaram por baixo, é que eles, numa só galheta, deitaram por terra a confiança depositada em si durante todos estes actos eleitorais realizados à custa de centenas de milhões de dólares arranjados pelo trabalho honesto  dos cidadãos contribuintes. 

Os deputados encarregaram-se de dizer mais ou menos o seguinte: “ que se lixe o salário mínimo nacional ganho na função pública; o “salário” dos professores, médicos, enfermeiros, engenheiros, militares  e polícias que não conseguem viver com dignidade ganhando dez ou mais de vinte vezes menos do que eles… não, não, isso não se discute; primeiro somos nós, depois…logo se vê!”.

Mesmo não se tendo ainda registado naquela “casa do povo” uma defesa acérrima  dos direitos dos que lhes colocaram as cadeiras fofinhas para se sentarem, o que mais fizeram os deputados (afinal dos “ funcionários públicos” mais bem pagos deste país)?Levantarem o braço para dizer que “sim , senhor, que venham os carrões de luxo anunciados e “fidelizados” com cifrões milionários numa altura em que em várias regiões do país morre gente de fome; ficam com o futuro adiado milhares de crianças sem escolas, postos de saúde e merenda escolar.

 Tenho uma opinião formada sobre o desempenho de alguns destes deputados.Não seria de bom tom “meter todos no mesmo saco”. Não. Isto seria desrespeitoso? Sim. Mas o que apetece mesmo perguntar é  o seguinte: não será também desrespeitoso não se tentar, com o mínimo de rigor e honestidade intelectual, priorizar a discussão dos salários actualmente miseráveis da maioria da população que afinal é a responsável por estarem a “trabalhar” num dos edifícios do país mais caros, logo mais luxuosos? 

…Num futuro mais breve do que se imagina, estaremos aqui a analisar o quanto custarão estas jogadas interesseiras nos gráficos  de medição da popularidade da elite política acomodada no Parlamento. Por enquanto, o resultado destas compras de luxo em tempo de fome e misérias é um autêntico rombo nos cofres do Estado; logo, um murro no estômago vazio dos contribuintes. 

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