ÁFRICA

 
5 de novembro 2017 - às 06:48

KÉNIA JUIZ DEVOLVE DINHEIRO FANTASMA

O juiz-presidente do Supremo Tribunal do Quénia, David Maraga, que fez história ao anular as últimas eleições presidenciais no país de 8 de Agosto, exigiu ao seu banco que retirasse da sua conta um depósito de 5 milhões de dólares, valor que garante ter sido depositado à sua revelia, alegadamente para minar a sua credibilidade depois de a instância que lidera ter invalidado o escrutínio. Uma decisão que lhe pode custar o cargo

 

Um depósito de 5 milhões de dólares foi parar, "misteriosamente", à conta do juiz-Presidente do Supremo Tribunal do Quénia, avança a APR News, Agence de Presse Régionale.

Segundo testemunhas, quando foi informado da choruda entrada, David Maraga exigiu a sua devolução.

"Tenho o meu salário e isso basta. Esses 5 milhões de dólares não são meus, devolva-os ao remetente, seja ele quem for", terá ordenado o magistrado ao Kenya Commercial Bank, que o alertou para o depósito.

Embora a origem do depósito não tenha sido revelada, o mesmo tem sido descrito como uma tentativa de descredibilização, já que o mesmo terá sido feito depois do veredicto de David Maraga sobre as presidenciais, anuladas por irregularidades.

A eleição presidencial, que ocorreu a 8 de Agosto, "não foi conduzida de acordo com a Constituição", concluiu o Juiz Presidente do Supremo Tribunal do Quénia, acrescentando: "Sobre a questão de saber se as ilegalidades e as irregularidades afectaram a integridades da eleição, o Tribunal é da opinião que é este o caso".

A decisão de anulação das eleições, que é definitiva, foi aprovada pela maioria dos juízes e apenas dois foram contra, num total de sete (um esteve ausente por doença).

O juiz Presidente do Tribunal disse que a Comissão Eleitoral "falhou, negligenciou ou recusou" conduzir as eleições de acordo com a Constituição, citando irregularidades na transmissão dos resultados.

A decisão promete continuar a fazer correr muita tinta, tendo sido lançada, entretanto, uma petição para afastar David Maraga.

A iniciativa, liderada pelo deputado municipal Ngunjiri Wambugu, foi apresentada junto da Comissão queniana para o Serviços Judiciais, a quem compete investigar as queixas contra os profissionais da Justiça.

A denúncia já foi entregue no Supremo Tribunal e contém 14 páginas, de acordo com testemunhas locais afirmam que, o juiz David Maraga tem sido financiado e instrumentalizado por um grupo de organizações não-governamentais opositoras do Presidente Uhuru Kenyatta, que viu a sua reeleição ser anulada.

As alegações serão analisadas por um colectivo de 11 membros, sobretudo juízes e outros profissionais de justiça, que têm nove dias para deliberar.

Texto adaptado In Agence Presse Régionale. 

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