RECADO SOCIAL

 
6 de setembro 2017 - às 08:50

“TRABALHAR”? SÓ PARA AS ELEIÇÕES…

A verdade é que a classe mais descredibilizada do país decidiu  juntar-se à gente honesta, trabalhadora, cumpridora dos impostos fiscais e créditos bancários, sobretudo de uma Lei Geral do Trabalho, de que fogem como o diabo da cruz de Cristo, desde que juraram servir o povo na Assembleia Nacional, no Executivo, e prestar contas  nos tribunais, sobretudo aos bancos e/ou instituições financeiras e empresas públicas, curiosamente quase todas falidas.

 

Os políticos (a maior parte dos quais líderes dos seus respectivos partidos) nos últimos meses decidiram trabalhar a sério. Uns encarregaram-se de ir às missas de diferentes confissões religiosas, outros até apareceram em funerais mediáticos, sem deixar de comparecer, regularmente, nos hospitais, nas praças, chafarizes, mercados e nas tais galas de beneficência, bares e cafés de esquina, lojas e talhos para vender a sua peixeirada eleitoralista. Não tive informação credível de que terão passado em revista as instituições psiquiátricas, cadeias e casas mortuárias. Mas isto não quer dizer que este “roteiro” não lhes terá passado pela cabeça.

A verdade é que a classe mais descredibilizada do país decidiu  juntar-se à gente honesta, trabalhadora, cumpridora dos impostos fiscais e créditos bancários, sobretudo de uma Lei Geral do Trabalho, de que fogem como o diabo da cruz de Cristo, desde que juraram servir o povo na Assembleia Nacional, no Executivo, e prestar contas  nos tribunais, sobretudo aos bancos e/ou instituições financeiras e empresas públicas, curiosamente quase todas falidas.

Afinal, é apenas numa meia dúzia de meses em que estes compatriotas tentam dizer o que é por demais conhecido e necessário para uma sobrevivência humana decente: mais liberdade, pitéu, água, luz , habitação, estradas, pontes e pontecos, comboios, barcos e aviões, enfim a transformação dos subúrbios onde nasceram em centros populacionais,  administrativos e financeiros bem mais interessantes do que Miami, Dubai, Pequim, Waal Street, Nova York ou Paris.

Fazem de tudo para serem (re)eleitos, desde que para tal trabalhem apenas de cinco em cinco anos. Nas anteriores Leis da Constituição da República, as eleições eram realizadas de quatro em quatro anos. A partir de 2010, entenderam que deveriam vergar a mola de cinco em cinco anos e, nessa roda viva de mais exigências  de vidas porreiras, eu acredito que Angola, a partir de certo momento organizará eleições de dez em dez anitos. Até porque a maior parte dos tais políticos candidatos- eternos aos poderes, tem já a idade média pouco simpática para obrigatoriamente  circular,  de acordo com a lei, na faixa da reforma.

Acreditem que estes momentos de espectáculos eleitorais quinquenais não são bons para a saúde financeira de um país e um governo forçados a sustentar com biliões de kwanzas uma série de indivíduos e partidos pouco propensos a apresentar contas ao grande público contribuinte. Praticamente andam desaparecidos durante o ano inteiro para depois surgirem a gastar milhões nos passeios aéreos e rodoviários para organizar comícios onde apresentam incompreensíveis e chatas exposições dos seus programas sustentados na base de ideias hipócritas e inviáveis num país, cuja crise vai durar pelo menos uma década. O que dizer quando aparecem nas estações de rádio e de televisão? Nada. Absolutamente nada!. Mas sei que depois dos “debates” com os seus pares do mesmo circo, alguns sentem sempre uma enorme vontade de andar às galhetas, relembrando os antigos tempos em que no parlamento valia tudo, menos esfolar…

Eu cá acho que a Assembleia da República devia ser excepcionalmente revista, no sentido de se criar uma instituição independente  e exclusivamente dotada de poderes especiais para fiscalizar o que fazem os políticos deste país em anos não-eleitorais.São cerca de 1095 dias provavelmente sem olharem as cartilhas de promessas ou  contratos com os seus eleitores. Daqui a sensivelmente cinco anos, cá estaremos a fazer um balanço do que não fizeram os políticos durante quatro anos. Que vida!  

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