RECADO SOCIAL

 
29 de julho 2017 - às 07:55

NÃO TENTEM INFERNIZAR O PAÍS!

Numa altura em que se está na recta final da preparação das condições humanas, técnicas e materiais para a realização das quartas eleições gerais do país, vinte e cinco anos depois, eis que vão surgindo algumas manifestações para inviabilizar a concretização de um processo que se espera pacífico, regular, legal, sobretudo, bastante participativo e com a transparência desejável num país civilizado.

 

Um quarto de século depois de se terem realizado aquelas que seriam chamadas eleições democráticas e justas, em 1992, o cenário político

angolano continua envolvido por um clima de desconfiança e suspeição.

Tratando-se de um processo de mudança ou não dos detentores do poder, deveria ser, no mínimo, mais tranquilo, sem as quezílias de sempre.

Mas há quem insista em dormir mal disposto devido ao passado ou acordar disposto a ferrar o adversário…

Vinte e cinco anos depois é evidente que quase tudo se transformou, a começar pela mentalidade guerreira fortemente conflituosa de então, pois o país político tinha feito uma trégua relativamente a guerra sangrenta em que estava mergulhado, completamente  dividido, cheio de centenas de milhar de refugiados regressados sem condições mínimas de sobrevivência e, sobretudo, acabado de acolher outras centenas de milhar de militares que não sabiam fazer outra coisa do que matar, mutilar, destruir para vencer cada um na sua trincheira, na sua região de combate; cada um com os  seus líderes que tentaram ao longo de vários anos inculcar nas suas consciências uma ideologia que jamais perceberam porque permanentemente mal levadas em prática no país que os viu nascer.

Numa altura em que se está na recta final da preparação das condições humanas, técnicas e materiais para a realização das quartas eleições gerais do país, vinte e cinco anos depois, eis que vão surgindo algumas manifestações para inviabilizar a concretização de um processo que se espera pacífico, regular, legal, sobretudo, bastante participativo e com a transparência desejável num país civilizado.

Os mesmos actores, os mesmos operadores deste “sistema” destruidor da normalidade democrática( quer da oposição como no Poder), tal como há um quarto de século, continuam a espreita de uma primeira oportunidade para deitar  por baixo das pontes  democráticas construídas com muito sacrifício tudo quanto se fez para que  se chegue finalmente no dia 23 de Agosto com a consciência de que se vai uma vez mais, cumprir um dever cívico, patriótico, tendente a fazer o país andar cada vez mais pra frente.

Embora alguns observadores tentem assobiar para o lado diante de alguns factos ocorridos na nossa praça política, a verdade é que muitas coisas foram mal preparadas ou aceites pelas protagonistas (todos, sem excepção) do processo eleitoral, no sentido de se chegar ao dia “D” sem que ninguém fique com rancores que geralmente criam condições de surgimento da violência verbal e, não raras vezes, conflitos sociais descontrolados onde o recurso às armas de guerra é lamentavelmente considerada uma prática vulgar.

Como atesta a nossa história democrática recente, a fase mais delicada das eleições não pode nunca ser considerada o momento em que as milhões de pessoas depositam o seu voto nas urnas, mas, sim, o momento em que por todas as regiões do país (umas mais esclarecidas para entrar no jogo democrático outras menos) são divulgados os resultados eleitorais definitivos pelas instituições legais criadas para o efeito.

Ora, faltando escassos dois meses para observarmos cerca de nove milhões de cidadãos paciente e ordeiramente a votar nos que irão dirigir o país, urge colocar alguns pontos e vírgulas em certos discursos de quem entra no jogo para aproveitar-se do clima político actual algo complicado, agravado pela sua situação de caos financeiro provocado por gestores dos dinheiros públicos que, mais cedo do que tarde, pagarão pelos seus crimes. Não há volta a dar.  

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